"No cristianismo, nem a moral nem a religião têm qualquer ponto de
contado com a realidade. São oferecidas causas puramente imaginárias
('Deus', 'alma', 'eu', 'espírito', 'livre arbítrio' – ou mesmo o
'não-livre') e efeitos puramente imaginários ('pecado', 'salvação',
'graça', 'punição', 'remissão dos pecados'). Um intercurso entre seres
imaginários ('Deus', 'espíritos', 'almas'); uma história natural
imaginária (antropocêntrica; uma negação total do conceito de causas
naturais); uma psicologia imaginária (mal-entendidos sobre si,
interpretações equivocadas de sentimentos gerais agradáveis ou
desagradáveis, por exemplo, os estados do nervus sympathicus com a ajuda
da linguagem simbólica da idiossincrasia moral-religiosa –
'arrependimento', 'peso na consciência', 'tentação do demônio', 'a
presença de Deus'); uma teleologia imaginária (o 'reino de Deus', 'o
juízo final', a 'vida eterna'). – Esse mundo puramente fictício, com
muita desvantagem, se distingue do mundo dos sonhos; o último ao menos
reflete a realidade, enquanto aquele falsifica, desvaloriza e nega a
realidade. Após o conceito de 'natureza' ter sido usado como oposto ao
conceito de 'Deus', a palavra 'natural' forçosamente tomou o significado
de 'abominável' – todo esse mundo fictício tem sua origem no ódio
contra o natural (– a realidade! –), é evidência de um profundo
mal-estar com a efetividade... Isso explica tudo. Quem tem motivos para
fugir da realidade? Quem sofre com ela. Mas sofrer com a realidade
significa uma existência malograda... A preponderância do sofrimento
sobre o prazer é a causa dessa moral e religião fictícias: mas tal
preponderância, no entanto, também fornece a fórmula para a
decadência..."Nietzsche"Estamos convencidos de que o pior mal, tanto
para a humanidade quanto para a verdade e o progresso, é a Igreja.
Poderia ser de outra forma? Pois não cabe à Igreja a tarefa de perverter
as gerações mais novas e especialmente as mulheres? Não é ela que,
através de seus dogmas, suas mentiras, sua estupidez e sua ignomínia
tenta destruir o pensamento lógico e a ciência? Não é ela que ameaça a
dignidade do homem, pervertendo suas idéias sobre o que é bom e o que é
justo? Não é ela que transforma os vivos em cadáveres, despreza a
liberdade e prega a eterna escravidão das massas em benefício dos
tiranos e dos exploradores? Não é essa mesma Igreja implacável que
procura perpetuar o reino das sombras, da ignorância, da pobreza e do
crime? Se não quisermos que o progresso seja, em nosso século, um sonho
mentiroso, devemos acabar com a Igreja". Mikhail Bakunin
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