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quarta-feira, maio 04, 2011

A DISCIPLINA E O VALOR DAS PEQUENAS COISAS


William Pereira da Silva
Contam antigos empregados da Fábrica de Cimento de Mossoró que seu dono, o grande industrial João Santos, fazia visitas periódica as suas fábricas e numa destas visitas na de Mossoró ocorreram dois fatos interessantes que eles gostavam de conversar nas rodas de amigos. Um foi quando um porteiro ao perceber a presença do industrial correu para abrir o portão no intuito de ser rápido  para mostrar eficiência ao chefe, só que na pressa esqueceu de colocar o boné. O carro pára, João Santos chama o porteiro e diz que o mesmo será demitido, abismado ele pergunta o porquê e recebe como resposta que era  por não estar portando o boné. O segundo quando ele em comitiva junto aos gerentes inspecionava as oficinas da fábrica, de repente para e apanha um parafuso que estava no chão e ordenou que guardassem esse parafuso. Um dos integrantes da comitiva indagou qual o motivo dele ter agido destas duas formas, demitindo o empregado que mostrou eficiência e apanhar um simples parafuso sendo ele rico, dono de várias fábricas de cimento em todo nordeste. Como resposta o Sr. João Santos relatou que o vigia foi demitido por displicência ao fardamento completo, indisciplina nas ações e sua desatenção em não perceber a aproximação dos carros bem antes, tendo tempo de agir com calma e eficiência  e quanto ao parafuso ele disse que sua riqueza veio da sua percepção em não desperdiçar nada, economia, valorizar as pequenas coisas,  que uma riqueza se constrói com pequenos detalhes valorizando cada centavo ganhado e limpeza não faz mal a ninguém.
Estes dois exemplos deveriam ser seguidos por muitos alunos, para aprender que tudo construído na vida vem de pequenos detalhes, passo a passo, degrau a degrau, valorizar cada conteúdo oferecido nas disciplinas escolares, como também entender o valor da organização e da disciplina para sua educação.
O que presenciamos em muitas escolas, não em todas, principalmente da rede pública estadual é o descaso do alunado com o respeito à escola e aos mestres, a preferência por umas disciplinas e outras não, indo de acordo com sua conveniência particular, menosprezando alguns professores por acharem que sua matéria não tem valor nenhum, nunca servirá para nada em sua vida.
Muitas vezes nos esforçamos para pesquisar, levar novos conteúdos, oferecer novidades, aulas mais dinâmicas, dar aulas proveitosas, mas somos barrados pela indisciplina, insensatez, ignorância, descaso dos alunos, chegando até a violência verbal e física aos professores. Torna-se difícil a nossa tarefa de educar, porém pior ainda são escolas que permitem a indisciplina de alunos para não perder sua clientela e futuros recursos financeiros. Nós professores somos sacrificados em não haver nenhuma seleção, nenhum critério, nenhum processo seletivo, nada é feito para impedir matriculas de alunos incapazes ao convívio escolar, surgindo daí a violência no interior das escolas. Este ano um aluno foi armado para escola com um revolver, sendo preciso solicitar a policia para desarmá-lo, estranho é que este aluno apenas foi transferido de turno. Final do ano passado fui agredido moralmente e ameaçado de sofrer uma agressão física com uma cadeirada e este aluno permanece na escola como nada tivesse havido. Prevaleceu à impunidade, daí dando margem para outros atos e mau exemplo para toda escola.
Ta na hora de todos entender que sem disciplina na escola  e com a falta de respeito aos professores muitos fatos ruins irão acontecer mais ainda, chegando inclusive ao extremo de serem ceifadas vidas no ambiente escolar.
Urge agir com ordem e disciplina com critério na seleção de alunos evitando de matricular nas escolas marginais drogados que nada respeita  tornando-se um verdadeiro perigo para toda comunidade escolar.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

A Ética em Epicuro -BRASIL ESCOLA

TRANSPOSTO DO SITE BRASIL ESCOLA

 Epicuro - O criador dos 4 remédios para alcançar a felicidade


A doutrina de Epicuro surgiu em um momento de insatisfação com a condição das Cidades-Estados gregas. A vida social na Pólis era leviana e marcada pela injustiça social. O poder se concentrava nas mãos de poucos: a aristocracia urbana. Não havia felicidade entres os homens no contexto social, no qual as pessoas se interessavam estritamente pelas riquezas e pelo poder; no contexto religioso, no qual predominava a superstição, a religião tornou-se servil, cercada de mitos e ritos sem significação e também crescia a procura por oráculos e a crença em adivinhações. As pessoas gozavam dos prazeres mais supérfluos advindos das riquezas e, assim, eram relativamente felizes, pois estavam se esquecendo do que realmente proporciona a felicidade. Foi a partir disso que Epicuro criou sua doutrina contra a superstição e os bens materiais, voltada para uma reflexão interior e busca da verdadeira felicidade.
Essa doutrina é dividida em canônica, física e ética. Porém, as duas primeiras partes são esclarecimentos para a fundamentação da ética, visto que as ciências naturais só são importantes na medida em que servem de auxílio à moral. Nenhuma teoria é válida se não possuir um objetivo moral, o qual não possa ser aplicado na vida prática. A finalidade de sua ética consiste em propiciar a felicidade aos homens, de modo que essa possa libertá-los das mazelas que os atormentam, quer advenham de circunstâncias políticas e sociais, quer sejam causadas por motivos religiosos.
A Felicidade é alcançada por meio do controle dos medos e dos desejos, de maneira que seja possível chegar à ataraxia, a qual representa um estado de prazer estável e equilíbrio e, consequentemente, a um estado de tranquilidade e a ausência de perturbações, pois, conforme Epicuro, há prazeres maus e violentos, decorrentes do vício e que são passageiros, provocando somente insatisfação e dor. Mas também há prazeres decorrentes da busca moderada da Felicidade.
Segundo Epicuro, a posse de poucos bens materiais e a não obtenção de cargos públicos proporcionam uma vida feliz e repleta de tranquilidade interior, visto que essas coisas trazem variadas perturbações. Por isso, as condições necessárias para a boa saúde da alma estão na humildade. E para alcançar a felicidade, Epicuro cria 4 “remédios”:
1. Não se deve temer os deuses;
2. Não se deve temer a morte;
3. O Bem não é difícil de se alcançar;
4. Os males não são difíceis de suportar.
De acordo com essas recomendações, é possível cultivar pensamentos positivos os quais capacitam a pessoa a ter uma vida filosófica baseada em uma ética. A felicidade se alcança através de poucas coisas materiais em detrimento da busca do prazer voluptuoso. O homem ao buscar o prazer procura a felicidade natural. No entanto é necessário saber escolher de modo que se evite os prazeres que causam maiores dores; quando o homem não sabe escolher, surge a dor e a infelicidade.
O sábio deve saber suportar a dor, visto que logo essa acabará ou até mesmo as que duram por um tempo maior são suportáveis. A conquista do prazer e a supressão da dor se dão pela sabedoria que encontra um estado de satisfação interna. A virtude subordinada ao prazer só pode ser alcançada pelos seguintes itens:
  • Inteligência – a prudência, o ponderamento que busca o verdadeiro prazer e evita a dor;
  • Raciocínio – reflete sobre os ponderamentos levantados para conhecer qual prazer é mais vantajoso, qual deve ser suportado, qual pode atribuir um prazer maior, etc. O prazer como forma de suprimir a dor é um bem absoluto, pois não pode ser acrescentado a ele nenhum maior ou novo prazer.
  • Autodomínio – evita o que é supérfluo, como bens materiais, cultura sofisticada e participação política;
  • Justiça – deve ser buscada pelos frutos que produz, pois foi estipulada para que não haja prejuízo entre os homens.
Enfim, todo empenho de Epicuro tinha como meta a felicidade dos homens. Nos jardins (comunidade dos discípulos de Epicuro) reinava a alegria e a vida simples. A amizade era o melhor dos sentimentos, pois proporcionava a correção das faltas uns dos outros, permitindo as suas correções. Com isso, a moral epicurista é baseada na propagação de suas ações, pois ele não se restringiu apenas ao sentimento e ao prazer como normas de moralidade, mas foi muito além de sua própria teoria, sendo o exemplo vivo da doutrina que proferia.
Por João Francisco P. Cabral 
Colaborador Brasil Escola 
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU