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segunda-feira, julho 18, 2011

GREVE DA EDUCAÇÃO DEVE TERMINAR ESTA SEMANA - BLOG CARLOS SANTOS

TRANSPOSTO DO BLOG CARLOS SANTOS
http://blogcarlossantos.com.br/#23839 
segunda-feira - 18/07/2011 - 16:06h
 
 
Fátima Bezerra prevê

Greve da educação deve terminar esta semana


A deputada federal Fátima Bezerra (PT) e representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública (SINTE) avaliaram como positiva a reunião de negociação que tiveram com o chefe do Gabinete Civil, Paulo de Tarso, na manhã desta segunda-feira (18).
O Governo assegurou que pagará aos professores o piso salarial assegurado por Lei e confirmado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e que acompanhará o aumento do piso já sinalizado para janeiro, em torno de 21%.
Paulo de Tarso também se comprometeu, pela primeira vez, a estudar a proposta de tabela remuneratória apresentada pelo Sinte, onde os professores ficariam com os salários um pouco menores que os demais servidores do estado. Na reunião, Fátima Bezerra lembrou ao chefe de Gabinete que o que os professores estão propondo se assemelha à proposta que tramita no Congresso Nacional de equiparar o salário dos professores de nível superior à média dos salário dos demais funcionários com mesmo nível de escolaridade.
Fátima Bezerra disse que estava “animada” com o desfecho da reunião.
“Pelo que eu vi e ouvi do Sinte e do chefe de Gabinete Paulo de Tarso, creio que a greve terminará nesta semana”.
Uma nova reunião entre Sinte e Governo foi marcada para quarta-feira. A deputada Fátima Bezerra confirmou presença.

terça-feira, maio 24, 2011

OS DONOS DA CRISE NA EDUCAÇÃO

OS DONOS DA CRISE NA EDUCAÇÃO
Por William Pereira da Silva

Há um consenso geral onde todos vêem e sentem a crise instalada na educação. Não é de hoje as sucessivas crises que vivemos, umas mais acentuadas que as outras, mas nestes últimos dez anos ou mais talvez tenha sido a maior de todas na história da educação no Rio Grande do Norte e em vários outros estados brasileiros. Uma pergunta paira no ar, QUEM OU O QUE GEROU E ESTA MANTENDO ESTA CRISE? A única resposta sendo a mais lógica é O GOVERNO DO ESTADO que detém o poder das decisões, os recursos financeiros, política educacional, dirige os órgãos responsáveis pela educação em geral.
Podemos enumerar vários fatores geradores desta crise, entre eles o clientelismo político, a falta de fiscalização dos recursos aplicados e do funcionamento dos órgãos responsáveis pela educação e nas próprias escolas. Um fator que ninguém gosta de citar, mas é responsável diretamente por maior parte da crise É A CORRUPÇÃO desenfreada instalada no setor educacional, do primeiro escalão até a cozinha das escolas. Ela prevalece acarretando um desgaste nas relações pessoais e de extravio do material escolar, desvios verbas, roubo ou descaso total com o patrimônio público escolar.
Vamos tentar analisar cada fator como acontece e seus efeitos imediatos na crise;
O CLIENTELISMO POLÍTICO
O clientelismo político é uma característica do estado patrimonialista, é a troca de benefícios nas atividades públicas. Os grupos políticos que administram o executivo estadual norte-riograndense gerenciam os recursos públicos como se estes fossem seus ( ANDRADE, 2005,157) juntamente com os partidos políticos que tanto precisam dos recursos da educação para suas campanhas eleitoreiras. Há uma interferência enorme desses políticos no funcionamento das escolas. Eles não aparecem, mas colocam seus correligionários para utilizar o patrimônio publico ao seu dispor ditando normas no funcionamento interno da escola, inclusive “perseguições” a funcionários que se rebelam não obedecendo a seus esquemas. Existe uma enorme dificuldade de desenvolver atividades dentro das escolas caso não seja do grupo político vigente, até se manter com sua carga horária de origem para dar espaço aos “fieis e corruptos eleitores”.
Os Secretários de Educação utilizam o cargo simplesmente como meio de chegar a uma representatividade política para deputado ou senador, usando a educação como uma espécie de “curral eleitoral” para alcançar seus objetivos. Dirigentes de DIRED’S são fortes cabos eleitorais destes políticos. Diretores de escolas são induzidos a seguirem estes grupos ou obedecer a normas especificas que não contrariem estes interesses. Tudo isso acarreta uma crise estrutural e funcional sem precedentes porque as escolas não funcionam de acordo com suas necessidades e realidades intrínsecas, mas de acordo com os ditames das necessidades eleitoreira destes políticos. Portanto o clientelismo político trás a corrupção e o trafico de influencias que são duas situações nefastas para qualquer escola gerando crises e crises sucessivas.

FALTA DE FISCALIZAÇÃO

Qual o órgão responsável pela fiscalização das DIREDS e das escolas? Ele existe? Com toda certeza Não. QUEM FISCALIZA AS ESCOLAS? Ninguém. Será que os diretores de Direds conhecem a realidade de cada escola in loco, quantas escolas foram visitadas por eles?
Não se tem conhecimento dos órgãos fiscalizadores dos recursos advindo do governo nem tampouco do funcionamento das escolas em geral, se existem não funcionam, está só no papel. Não confundir as inspeções anuais de técnicos burocratas que não conhecem a realidade das escolas e quando aparecem aumenta o caos nas escolas com fiscalização do patrimônio público e funcionamento das escolas.
A falta de fiscalização séria acarreta roubos constantes do patrimônio escolar, desvio de verbas, favorecimentos políticos, funcionários fantasmas, desvios de funções, acumulo de cargos, falta de tombamento do patrimônio, inexistência de almoxarifados, contratação de empresas fraudulentas, transações ilegais entre comerciantes e diretores com favorecimento de notas frias, comissões vantajosas, peculatos e improbidades administrativas constantes, muitas vezes de conhecimento do publico em geral e das autoridades. Com uma fiscalização constante tudo isto poderia ser evitado ou minimizado. Onde não há fiscalização abre-se uma oportunidade enorme para os corruptos.

A CORRUPÇÃO
O clientelismo político junto com a falta de fiscalização é a mãe dos piores de todos os males sociais que destruiu até impérios gigantescos, imaginem um sistema educacional. A corrupção é caracterizada quando não se cumpre às normas e leis que regem a educação juntamente com os desvios dos recursos do Estado. Onde quer que seja se as leis não são cumpridas nada permanecera em ordem por muito tempo. As leis são as bases fundamentais da organização e disciplina em qualquer instituição e se elas não são obedecidas o resultado é imediato, a desordem prevalecerá. Os corruptos vivem exclusivamente para deturpar toda a ordem para tirar proveito próprio dos bens publico mesmo que isso cause a desgraça de muitos os levando a uma educação de baixíssima qualidade interferindo diretamente nas vidas de muitas pessoas. O GRANDE PROBLEMA É QUE ELA ESTA SENDO ACEITA COMO UM FATOR NATURAL DENTRO DO NOSSO CONVIVIO, todo mundo adaptou-se a corrupção como elemento normal que não causa nenhum transtorno dentro das escolas sendo ela a dona da crise institucional, moral e social da educação. Talvez por ser tão abrangente, gigantesca, ninguém quer ser um Davi para combater essa gigante instalada entre nós, porém juntos podemos combater esse mal.
É hora dos sindicatos vestir esta camisa deixando de desenvolver campanhas somente voltadas para questões salariais utilizando de sucessivas greves e voltar-se para uma grande campanha de conscientização, organização, mobilização, manifestações e lutar contra as causas reais que destroem as escolas juntamente com a educação que são o clientelismo político a falta de fiscalização e a famigerada corrupção que assola nossas vidas. É triste ver sindicalistas dentro das escolas sabendo de todo tipo de falcatruas e não mover um dedo sequer. É triste e suspeito.
Querer mudar sem atacar as causas principais é pura demagogia, oportunismo, peleguismo, conivência, submissão, serviência, medo, descaso e por que não dizer clientelismo político sindical visando sempre eleger-se na próxima eleição não atacando a corrupção perdendo os votos dos corruptos.
Os funcionários públicos sozinhos jamais poderão levantar essa bandeira de luta sem ajuda de uma instituição organizada, experiente e voltadas para os reais problemas que afligem a educação.
“ HÁ UMA TENDÊNCIA GENERALIZADA SOLICITANDO QUE OS SUBALTERNOS MUDEM DE ATITUDES. É MAIS FÁCIL O EXEMPLO VIR DO ALTO. QUEM PRIMEIRO DEVE MUDAR É O GESTOR. O PRIMEIRO PASSO PARA SE INICIAR UM PROCESSO DE MUDANÇA É O COMPROMETIMENTO DO DIRIGENTE. É NECESSÁRIO QUE ELE ASSUMA A RESPONSABILIDADE DE MUDAR IMPLANTANDO UMA NOVA FILOSOFIA DE TRABALHO DEMONSTRANDO SEU COMPROMISSO ATRAVÉS DE AÇÕES EFETIVAS. IRÁ ENCONTRAR RESISTÊNCIA. NÃO IMPORTA. NÃO PRECISA APENAS RESOLVER A MUDAR: É PRECISO AGIR!”. ( Parágrafo retirado da Gazeta do Oeste na Coluna Dèjá Vu de Milton Marques em 28/12/2003)

domingo, março 20, 2011

AUTONOMIA E PLANEJAMENTO



William Pereira da Silva
Abro os Parâmetros Curriculares Nacionais, Introdução, página 41, Ensino Fundamental - Uma Prioridade e leio; “A lei (LDB) destaca o papel importante que a escola desempenha no processo educacional e lhe confere uma grande autonomia de organização. Também incentiva os sistemas de ensino a desenvolverem projetos que possibilitem a aceleração de estudos para alunos com atraso escolar.
Participo na escola do primeiro encontro anual de professores, num  sábado, sobre PLANEJAMENTO, lei no artigo apresentado para estudos retirado da revista Nova  Escola, escrito por Renata Costa, que relata;  “ É claro que há determinações das secretarias, porém o professor tem uma zona de autonomia relativa para realizar o que pretende na escola e na sociedade”. Ainda noutro parágrafo  leio; “ O segundo passo para um bom  planejamento é levar em conta a realidade da qual fazem parte professores, escola e alunos. Em termos gerais, isso significa considerar aspectos sociais da comunidade, problemas e necessidades locais e, por fim, a diversidade dentro da sala de aula”.
Ao terminar de ler sobre o assunto relatado no parágrafo anterior sinto viver uma realidade totalmente diferente proposta pelos PCN’S, LDB e o estudo de um bom planejamento, o que vejo no meu cotidiano é a interferência direta de todos em nossas ações, não nos dão autonomia de nada. Secretaria de Educação, Dired, diretores, todos intrometem  onde não deve, parece até que eles desconhecem a palavra autonomia, realidade, peculariedades, projetos, ações para mudar a realidade educacional, conselho escolar.  Tem pavor de ver realizado ações que contrariem seus interesses políticos e pessoais, de mostrar poder e ações que eles pensam serem eficazes, mas que ao longo dos anos tem-se mostrado ineficientes. A cada dirigente que muda vem com toda força impor ações que não condizem com a nossa realidade, querem mudar  apenas com critérios criados na burocracia oficial. Passado alguns meses voltam aos conchaves políticos, aos interesses de amiguinhas, aos interesses mais mesquinhos que destrói tudo o que foi planejado para uma real melhoria na educação. Para demonstrar autoridade encenam organizar setores deficientes, realocar funcionários, punir faltosos, culpar professores de ineficiência, descaso, omissão, sendo eles os políticos os maiores causadores do caos na educação, aqueles que favorecem todos tipos ilícitos de benefícios aos seus simpatizantes.  Muitos cargos de dirigente deveriam ser por concurso, indicar por apadrinhamento político demonstra a interferência direta de políticos nas escolas dando autoridade a pessoas que às vezes pesam ser o próprio Deus da educação ou a Deusa da sabedoria, a Atena Hígia.
Dentro da hierarquia da Secretaria de Educação existem funções para cada setor ou cargo nele exercido, entretanto muitos saem de seus afazeres para entrar em determinada áreas que não lhe compete, querem disciplinar, determinar o funcionamento das escolas de acordo com seu pensar ou como pensa seu chefe político. Caso uma escola tenha um Diretor capaz, íntegro, uma  equipe administrava responsável, conselho escolar atuante, grêmio estudantil participativo, associação de pais e mestres inserido no contexto escolar não daria margem para interferência de dirigentes que esquecem a autonomia da escola e dos professores e extrapolam suas funções pensando ser aquela pessoa que ira conserta sozinha um mal criado ao longos dos anos por aqueles que o indicaram para tal função.
Dêem autonomia as escolas,  enviem recursos humanos e matérias suficientes a cada realidade exigida, interfiram somente no necessário, fiscalizem, exijam de acordo com as leis, acabem com todos os benefícios pessoais em detrimento do coletivo, afastem os políticos das escolas, então teremos o início de uma nova era na educação.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

J'ACUSE! (EU ACUSO)

Igor Pantuzza Wildmann 
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.



J’ACUSE

Eu acuso! 
Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes
« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola)  - Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola)
Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.
Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito;
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição;
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos; 
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores.
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.
Igor Pantuzza Wildmann 
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

Colaboração de envio Luiz Florêncio Jácome luizfjacome@yahoo.com.br