Justiça não pode ser ‘abestada’
Por Cesar Santos
Transposto da coluna César Santos Jonal De Fato em 08/10/2010 http://www.defato.co/cesar.php
Pagaria ingresso para assistir a um show do palhaço Tiririca. Seu humor inocente não faz rir apenas as criancinhas. É tão bobo que se torna engraçado. Mas, não sairia de casa para elegê-lo deputado federal ou a qualquer cargo de representação popular. Não vejo a menor graça nisso. Porém, respeito a decisão de 1,3 milhão de brasileiros que foram às urnas, de forma livre, para fazê-lo o deputado federal mais votado pelo Estado de São Paulo. A Justiça Eleitoral deve fazer o mesmo. A ameaça de arrancar do palhaço o mandato conferido pela vontade popular é tão agressiva quanto a suposta falta de escolaridade do candidato. A própria Justiça Eleitoral foi quem autorizou a sua candidatura, ao carimbar com o selo da legalidade toda a documentação apresentada. É preciso observar que o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) teve prazo para apreciar o pedido de registro de candidatura e, ao deferir, deixou entendido que não encontrou problema. Por que, então, a descoberta da suposta falsificação da assinatura de Tiririca depois de contados os votos? Passa a ideia de discriminação à figura que representava milhares de "abestados" brasileiros. Evidentemente, a Justiça deve zelar e fazer valer as leis. No entanto, nenhuma delas pode se sobrepor à decisão livre do cidadão. Tiririca não conseguiu o mandato com fraude, não usurpou a vontade popular; apenas foi o escolhido por 1,3 milhão de eleitores. Pouco importa se essa manifestação, com o voto, foi em protesto ao sistema, ou se o palhaço vai piorar a imagem do Congresso Nacional. O que importa, e deve ser respeitado, é que houve uma escolha democrática e livre. Então, se o povo decidiu, que a decisão seja respeitada: Tiririca deputado. A preferência do colunista, porém, continua pelo palhaço e sua eterna inocência de fazer rir. No picadeiro, claro.
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