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Posted: 04 Oct 2012 12:11 PM PDT
Para deixar mais claro ainda, faça as seguintes contas:
É exatamente assim que a nossa cabeça funciona. Vamos alternando formas de raciocínio mais rápidas, intuitivas e econômicas com outras formas mais lentas, reflexivas e dedutivas. Essas duas formas de pensar são chamadas de Sistema 1 (ou Sistema Automático) e Sistema 2 (ou Sistema Reflexivo), respectivamente. Ao longo da vida, vamos aprendendo uma série de regras práticas e, sempre que nos deparamos com uma situação onde achamos que podemos usá-las, nós, invariavelmente, as utilizamos – exatamente como você fez para resolver as contas. Afinal, não faria o menor sentido utilizar a linha de raciocínio da segunda conta na resolução da primeira, certo? Certo. O problema é que muitas vezes nós acabamos utilizando o Sistema 1 em situações onde o mais adequado seria usar o Sistema 2. Isso acontece quando cometemos um erro de percepção e julgamento. Daniel Kahneman, em seu livro "Ráido e Devagar: Duas Formas de Pensar", relata um experimento realizado com dois grupos de estudantes: um deles com alunos de Harvard, MIT e Princeton e o outro com alunos de universidades menos renomadas. O teste consistia de uma série de perguntas aparentemente fáceis, mas que envolviam um certo engajamento do Sistema 2 para que se chegasse às respostas corretas. Entre essas perguntas estava o famoso “bat-and-ball problem”: um taco e uma bola custam $1,10 no total. O taco custa $1,00 a mais do que a bola. Quanto custa a bola? (A bola custa $0,05) Em um dos grupos, menos da metade dos alunos conseguiu responder corretamente à questão. No outro, o índice de acerto superou os 80%. Qual dos dois grupos você acha que conseguiu os melhores resultados? Pois é, foram os alunos das universidades menos renomadas. Segundo Kahneman, uma boa justificativa para esse resultado seria o excesso de autoconfiança. O probleminha da bola e do taco é aparentemente tão simples que ao lê-lo, é praticamente impossível que a resposta $0,10 não venha imediatamente à sua cabeça (e vem mesmo e, pior, faz muito sentido!). Portanto, a resposta errada veio para os dois grupos. A questão é que a maioria dos alunos das universidades menos renomadas se deu ao trabalho de checar suas respostas, enquanto que mais da metade dos brilhantes de Harvard, MIT e Princeton não o fizeram. Familiaridade, otimismo exacerbado e excesso de autoconfiança são sentimentos que podem nos fazer pegar um atalho mental não muito favorável. Quando nos sentimos muito confortáveis e confiantes, tendemos a simplificar as opções e acabamos fazendo escolhas que parecem absolutamente corretas, mas que acabam por produzir um efeito contrário àquilo que esperávamos. Com relação às finanças, estamos vivendo um período de perigosa familiaridade com o endividamento. Ao contrário do que previam alguns economistas tradicionais, as pessoas não estão aprendendo a lidar com a oferta de crédito. Ocorre o oposto, afinal elas estão se sentindo cada vez mais confortáveis em ter uma (boa) parcela de sua renda comprometida com empréstimos, financiamentos e pagamentos de juros. Talvez você até ache que estou exagerando um pouco (ou muito!), mas a questão é que o Brasil vem sendo veiculado como uma ilha de prosperidade cercada de crise por todos os lados. Instituições financeiras levantam a bandeira de que se você está endividado, não há nada de errado porque você pode contar com eles para sair do sufoco. No varejo, parece que venda à vista com desconto é uma prática alienígena. Para fechar com chave de ouro, somos um povo perigosamente otimista, afinal “Deus é brasileiro e nós não desistimos nunca!”. Acho essa combinação de fatores extremamente perigosa no médio e longo prazo. O que fazer, então? No plano individual, planejamento é a palavra chave. No próximo artigo, vou falar um pouco sobre a participação da Dra.Vera R. de Mello Ferreira na última Conferência da IAREP – International Association for Research in Economic Psychology -, onde ela e sua equipe apresentaram o que está sendo feito em termos de políticas públicas aqui no Brasil em relação à ENEF – Estratégia Nacional de Educação Financeira – e ao programa do PROCON de São Paulo com os superendividados. Até a próxima! Foto de sxc.hu. ------ Este artigo foi escrito por Adriana Spacca Olivares Rodopoulos. Economista e especialista em Psicologia Econômica ambos pela PUC-SP. Atualmente coordena o Projeto Escolhas e Educação da Clínica de Psicologia Altavista e integra o Grupo de Estudos sobre Psicologia Econômica supervisionado pela Dra. Vera R. de Mello Ferreira. A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso formulário de contato. Siga-nos no Twitter: @Dinheirama |
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