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Alunos saem da escola pública
Por Marcos Antonio
Dia desses, o professor William Pereira escreveu um artigo neste caderno falando a respeito da falta de alunos nas escolas públicas. Tem razão ele quando diz que as instituições escolares públicas estão se acabando porque os governos "inventam" de alugar prédios particulares para encher de alunos.
Conversando esta semana com a diretora da Dired, Magali Delfino, deu para constatar o que o professor William criticava. Hoje temos nada menos que 19 escolas estadualizadas, ou seja, que são particulares mas estão alugadas para a rede estadual de ensino. Para ela, isso não deveria acontecer. E, segundo ela, dependendo do apoio político que terá para fazer as mudanças, isso poderá acabar. Só em Mossoró, temos cerca de 70 escolas estaduais.
Se formos analisar, levando-se em conta que a escola estadualizada tem um gestor próprio, pois seu dono não confia nos professores da rede para dirigir a instituição, nós, como funcionários de uma instituição pública, saímos perdendo.
Faça as contas: a escola estadualizada é mais procurada porque se subentende que é mais organizada, então, geralmente tem cerca de 40 alunos por sala. Digamos que ela tenha 10 salas. 10 salas com 40 alunos dá o total de 400 alunos. 19 escolas vezes 400 alunos dá 7.600. 7.600 é o total de alunos que poderiam estar abarrotando as nossas escolas públicas e evitando que elas fechem. Não é muito? É. Sem falar na falta de manutenção, porque primeiro tem que consertar o que está quebrado nas estadualizadas.
Temos, em certos casos, três escolas estadualizadas no mesmo lugar, no mesmo terreno, como é o caso da Escola Estadual Centenário, Dom João Costa e Cardeal Câmara. Todas no mesmo quarteirão e pertencentes à Diocese.
Em outros casos, temos escolas que pertencem a outras pessoas, muitas vezes uma de frente para a outra. Mas isso não é de agora. É de muito tempo, vem rolando de governo em governo. E nenhum faz nada, claro, porque perderia votos. A politicalha tem estragado a nossa educação, que deveria ser de qualidade.
Por que não evitar a fuga em massa de alunos da rede estadual? Seria muito bom para a nossa cidade e para a credibilidade da educação estadual. Por enquanto, vamos definhando. Vamos mostrando que a nossa educação está descendo cada vez mais. Se isso não mudar, não chegaremos nunca ao nível desejado na avaliação da educação básica.
Leia o Artigo do Professor William Pereira publicado no Caderno Escola do Jornal Gazeta do Oeste na quarta-feira 2 de março de 2011, página 11, Vivendo e Aprendendo.

William Pereira da Silva
Êxodo é substantivo masculino que significa emigração de todo um povo ou saída de pessoas em massa. Farei uma análise utilizando o termo êxodo educacional para analisarmos o que esta acontecendo na educação nas escolas públicas do Rio Grande do Norte, especificamente na região da cidade de Mossoró, a debandada de alunos, isso segundo a minha visão de ver os fatos.
Muitas são as especulações em torno do assunto, chegando à afirmação de alguns que é devido ao número de filhos reduzido nas famílias atuais, que são no máximo dois filhos. Pode ser um dos fatores, mas de significância menor, exemplo é quando entro no Colégio Sagrado Coração de Maria e vejo muitas salas de aulas todas completas com quantidade satisfatória de alunos. Não há déficit nem índice de evasão nesta escola. Ela é apenas um exemplo para refutar a teoria da redução de números de filhos. Existem também outras escolas abarrotadas de alunos para dirimir qualquer dúvida.
Através de perguntas deduzamos alguns fatores. Quantos adolescentes estão presos no sistema presidiário de Mossoró? Quantos foram assassinados ou mortos com envolvimento em drogas e assaltos nos últimos anos? Quantos se matriculam e na primeira semana de aula abandonam? Quantos estão trabalhando para se manter e ajudar na renda familiar? Quantos estão em casa sem fazer nada? Quantos estão no tráfico de drogas? Quantos estão internados em tratamento para deixar o crack? Quantos estão nas ruas usando crack? Ache estes índices e teremos muitas escolas públicas vazias.
Outros fatores de grande relevância para o êxodo educacional é a política pública nefasta do Estado para a educação, à interferência direta de políticos no setor prejudica sensivelmente o funcionamento escolas, não respeitam em nada a autonomia da escola, suas realidades e peculariedades. No ano de 2004 na E.E. Jerônimo Rosado funcionava todos os turnos, mas por decisão errada da inspeção escolar interferindo no número de alunos por turmas (turmas de 30 alunos eram fechadas para formar turmas com 55 alunos). Houve uma insatisfação muito grande por parte dos alunos que se evadiram da escola prejudicando sensivelmente o turno vespertino que chegou a fechar. Em muitas outras escolas fecharam diversas turmas que tinham 20 alunos, 15 alunos e até hoje estas escolas estão em crise à beira da falência. Mas nada de estranhar, era meta do Governo fechar 32 escolas em todo Rio Grande do Norte. Não há quem resista a um plano maquiavélico deste. E na corrupção nem se fala, ninguém nem liga os efeitos das ações de administradores que em anos passados simplesmente depilaram o patrimônio das escolas em beneficio próprio. No Estado não tem funcionário ladrão, tem quem desvia verbas, improbidades administrativas, sinecura e outros palavreados bonitos para substituir adjetivos mais populares, entretanto o jovem sabe disso desqualificando, desacreditando, deturpando e abandonando as escolas. Repito o jovem sabe da esculhambação promovida no setor educacional.
Vejamos agora um ponto crucial. Esta acontecendo um fator interessante na educação que esta começando aflorar no meio educacional e que intriga a todos. Esta acontecendo evasão de alunos na rede pública estadual de ensino prejudicando muitas escolas e a carga horária dos professores. Acontecendo ate fechamento de estabelecimentos educacionais, entretanto, pasme, o Governo do Estado mantém convênios a preço de ouro pagando alugueis de prédios, recursos humanos e materiais para o setor educacional privado. Aqui em Mossoró temos ciência de dezenas, entre elas algumas como a Escola Dom João Costa, E.E. Paulo Freire, E.E. Cardeal Câmara, Centenário... Caso haja um levantamento de todas saberemos que as escolas conveniadas provocam um êxodo educacional enorme nas escolas públicas estadual, além de recursos financeiros.
A E.E. Jerônimo Rosado esta passando pela conclusão das reformas na parte física, entretanto estamos funcionando normalmente no turno matutino com seis turmas do 6º ao 9º ano ensino fundamental e no ensino médio com 7 turmas, 30 alunos em média por turma, no noturno três turmas do EJA em média com 35 alunos, isso só na primeira rampa, no pavimento superior. O turno vespertino fechado sem nenhuma turma são 24 salas de aulas ociosas, com uma infra-estrutura de auditório, ginásio de esportes, biblioteca, laboratórios de informáticas (2), salas de aula (24), secretária, sala de vídeo, cozinha, três salas para laboratórios, em resuma uma grande estrutura para uma ESCOLA. Agora “pirem”, deduzam, imaginem, querem colocar lá a central do cidadão, ( informação extra-oficial, boatos) reflita bem se for verdade, enquanto o Governo paga escolas conveniadas, o último pagamento que vi no Diário Oficial foi no VALOR: R$ 34.659,00 (Trinta e quatro mil seiscentos e cinqüenta e nove reais), contrato de nº 024/2009. Natal, 30 de Junho de 2010, sendo este valor referente à participação financeira do Estado, no aluguel do prédio da Escola Dom João Costa, isso apenas uma escola entre dezenas delas.
Elementar meu caro colega, é óbvio, sugiro que abram o turno vespertino da E.E. Jerônimo Rosado, complete as restante das turmas do matutino e noturno trazendo estas escolas conveniadas para nosso prédio que esta limpo, reformado, com estrutura para UMA ESCOLA GRANDE E EFICIENTE ESCOLA PÚBLICA, instale os novos cursos aprovado pelo MEC que os alunos aparecerão em massa. Faça isso também em outras escolas que estão fechando pelos mesmos motivos.
E viva o Egito!
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