terça-feira, março 08, 2011

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José Janone – o tabelião

Posted: 08 Mar 2011 05:29 AM PST

José Janone: não me julgo no direito de pedir: só agradecer

CÉLIA PIRES

José Janone, tabelião titular do Cartório de Notas e Protestos de Títulos de Araraquara, nasceu em Araraquara no dia 4 de dezembro de 1946.

Filho de Rosário Janone Filho e Clementina Alves Janone, teve pouquíssima convivência com o pai que faleceu muito cedo, aos 27 anos, vítima de uma úlcera estuporada. Ele tinha cinco anos. Esse pai fez muita falta. Por conta disso, já chorou muito, inclusive, depois de adulto e até mesmo após ter se casado, pela falta da figura paterna, mas sempre se inspirou no exemplo de pessoas que faziam parte de seu ambiente de trabalho e também em tios que davam a famosa 'mãozinha' e em sua mãe. "Fui criado com muito sacrifício. Minha mãe contou com a ajuda de irmãos para poder me sustentar."

Depois de dez anos de viuvez, a mãe casou-se novamente com Paschoal Giambona, homem bondoso e sem vícios. Com isso, Janone tem como irmãos Elizabeth Janone Pereira, do primeiro casamento, e Geraldo e Márcia, do segundo.

A infância foi passada praticamente dentro do Fórum de Araraquara.

Janone tinha quase 11anos e estudava pela manhã no Grupo Escolar Pedro José Neto, onde o Darci Domingues de Morais, hoje diretor do Cartório Criminal, lhe contou que o pai, Geraldo, era faxineiro do Fórum e que ele à tarde ia ajudar o mesmo a fazer a limpeza do Fórum, aos sábados principalmente. Um dia Janone foi junto e deu no que deu: nunca mais saiu!

Convite 
Assim ficou durantes uns dois meses ajudando o senhor Geraldo, até que em determinado dia recebeu um convite de Elcio Bernardes para trabalhar especificamente no cartório do hoje saudoso Ernesto Batelli, oficial do 1º Registro de Imóveis, Cartório do Júri e Anexos, para tirar o pó das mesas e fazer alguns serviços de Correio, enfim afazeres compatíveis com a sua idade. Pediu autorização da mãe e do senhor Geraldo. Recebendo o incentivo de ambos e aceitou. E ainda iria receber meio salário mínimo. Era a glória! "Ali o oficial maior era o Milton Amaral, depois vinha o Leônidas Dall'acqua, João Galhardo, Elcio, Zezinho Gonçalves, de quem me tornei ajudante. Assim comecei minhas funções como auxiliar do office-boy."

Curioso foi ficando: são 53 anos de serviço ininterruptos prestados ao meio forense, cartórios judiciais e extrajudiciais.

Aos 16 anos passou a fazer audiências, aos 19 passou a escrevente e por fim em todas as áreas forenses com exceção da Eleitoral. "Fui escrivão civil, criminal, do Juizado de Menores, além de exercer cargos de diretoria em todos esses cartórios."

Em 1976 foi instalada a 3º Vara em Araraquara, cujo juiz titular era Luiz Fabiano Corrêa, que o indicou como juiz da mesma que na época tinha civil, criminal e Juizado de Menores e a parte de Notas. "Eu tinha que me virar e ganhar algum dinheiro no setor de Notas para poder bancar os custos da área Judicial, que não tem receita. Encarei o desafio e assumi a titularidade dos 4 cartórios. Foi um sacrifício.Tive que vender os poucos bens que tinha juntado nos 19 anos de cartório para poder bancar os serviços judiciais que eu tinha assumido."

Com dois anos de serviço, Janone já possuía 16 funcionários e conseguia bancar metade das despesas com o setor de Notas, pois contava com a ajuda de muitos amigos, corretores de imóveis que lhe levavam serviços como o Chafir Haddad, a quem é eternamente grato. "Assumi, pois era um desafio a ser vencido. Tinha a esperança de futuramente, pois tinha a palavra do Dr. Luiz Fabiano que, brevemente, os cartórios seriam oficializados e eu me veria 'livre' dessa parte. Só que esse brevemente levou seis anos."

 Passados alguns anos, Janone ficou com o cartório de Notas e do Civil, esse último, decorrido algum tempo Janone indicou para seu sucessor, Jorge Góes. "Renunciei a todos os cartórios, ficando somente com o de Notas e me dediquei a instalar um cartório com toda a infra-estrutura e eu como diretor merecíamos. Primeiro foi na São Bento e depois na São Paulo, que passou por toda uma revitalização e hoje é nosso."

Arrimo de família 
Com 11 anos já poderia se considerar arrimo de família. O dinheirinho que ganhava era entregue nas mãos da mãe que lhe dava uma pequena parcela que era suficiente para o menino comprar um picolé, por exemplo. "Nunca abdiquei de um lazer. Sempre gostei de beira de rio, de mato. Sou um pescador. Gostava de soltar pipa, jogar betes, pião, enfim todas as brincadeiras de uma época em que não havia televisão, no máximo, o rádio. O grande barato era ir pegar as bolas que caiam no buracão do São Geraldo. Os jovens iam ao footing, que era na igreja do São Geraldo."

Janone estudava à noite e trabalhava de dia durante a semana e não tinha muito tempo para a vida social afora as brincadeiras com os amigos nos finais de semana.

Dia desses, conta que ouviu de Geraldo Arruda, por quem tem grande admiração, que o mesmo se orgulhava do homem que ele havia se tornado. "Ele havia me dado tantas responsabilidades desde menino, que nos bailes só ia para fiscalizar como Juizado de Menores. Nem dançar sei", conta rindo.

 "Uma pessoa que sempre me espelhei foi João Galhardo, que começou fazendo limpeza e café no Fórum da mesma forma que ele e no mesmo cartório. Tivemos uma infância muito parecida, onde precisávamos melhorar muito para chegar à pobre."

Família 
A companheira de uma vida inteira, Janone conheceu ao passar na casa de um colega do Tiro de Guerra, o saudoso Orlando. Ali conheceu a irmã do mesmo: Jane. "Ela era uma mocinha muito bonita. Tinha quase 15 anos. Quando ela completou 18 para 19 anos nos casamos. Sempre digo que acabei de criá-la", diz rindo acrescentando que em ela não teria conquistado o que conquistou na vida. Em todos os sentidos.

Dessa união nasceram: José Janone Jr., que atua na área de informática, Denis, seu tabelião substituto, e Tais "que também trabalha junto comigo", diz acrescentando orgulhoso que tem um netinho por parte de seu filho Denis e que a sua filha Tais anunciou que está grávida."

Janone conta que o irmão Geraldo Giambona trabalha com ele no cartório, sendo um de seus escreventes mais antigos.

 Janone ressalta que Deus foi muito generoso com ele, o abençoando com essa vida confortável que tem hoje, pois realmente a sua infância foi muito dura, tendo que inclusive chegar a pedir sapato emprestado para o seu tio, porque ele não tinha. Com isso chegou a ser alvo até de brincadeiras por parte de alguns colegas no ambiente de trabalho que diziam que 'o defunto era maior'. Mas não tem mágoa, pois aprendeu com a dificuldade a criar um espírito de superação e graças a isso se considera um vencedor.

José Janone é o idealizador da AJA, Associação de Justiça em Araraquara, sendo seu sócio número 1. Também foi ele quem deu nome à associação. Não fez parte da diretoria por conta dos inúmeros compromissos que já havia assumido. Quem assumiu a presidência foi seu amigo Pirola, com quem se formou em direito em 1975 na terceira turma da Uniara. "Temos uma amizade de mais de 30 anos, que se tornou estreita dentro do Fórum", diz orgulhoso.

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